Irina Palm
Ontem estava tão irritado por causa do barulho de furadeira do vizinho que resolvi ir ao cinema. O repertório de filmes em cartaz era deprimente (pegue Jumper e Awake como exemplos e você vai me entender perfeitamente). Em vez de eu conferir na internet a programação das salas mais próximas, eu resolvi ir com a cara e a coragem e escolher o primeiro filme que me interessasse - sempre, claro, com um instinto de seleção mais apurado para não me arrepender amargamente depois.
O que me chamou a atenção foi Irina Palm. Achei curioso por ser com a Marianne Faithfull, cantora famosa nos anos 60 e, pelo que eu li, também por ter tido um caso com o Mick Jagger
(mas ninguém ganha da Luciana Gimenez). Fui ler a sinopse e também achei a história curiosa: mulher por volta dos 50 anos que aceita um trabalho de hostess em um lugar chamado Sex World para arrecadar dinheiro e, assim, ajudar seu neto a fazer uma cirurgia na Austrália. Até aí não há nada demais, a não ser pelo local onde ela foi trabalhar - e o que ela fazia como trabalho.
Não se preocupem, não vou falar qual é o trabalho dela, senão vou estragar todo o enredo do filme. Infelizmente alguns sites não se contiveram e devem ter decepcionado alguns de seus leitores. Sorte a minha que eu não li nada, mas por outro lado minha moral fez com que eu me sentisse envergonhado frente à tantos casais de velhinhos presentes na sessão - eu era um recém-nascido comparado com a maioria.
A história em si, na minha opinião, é um pouco fantasiosa. Bom, a própria personagem Irina Palm - nome “artístico” para o novo emprego de Maggie - é uma ficção. Não que todo filme deva ter um fundo de verdade ou fatos que ilustrem um pouco a realidade (estou tentando comparar com o que aconteceu em Juno, onde uma adolescente de 15 anos fica grávida e a mãe aceita a notícia como se fosse o primeiro beijo da filha).
O desenrolar da trama, mesmo com o impacto causado pela nova situação de Maggie, acaba se tornando clichê. Entretanto, nem por isso o filme deixa de ser bom, pelo contrário. Ele é bem balanceado com pitadas de humor e até tem um clima de romantismo. Acho que é para amenizar o constrangimento que tive (falo por mim, não sei dos outros) ao ver as cenas do “primeiro dia” - não são explícitas, mas mesmo assim me senti como um avestruz que não tem onde enfiar a cabeça. Depois que saí do filme, fiquei pensando: será que os casais de idosos já não sabiam sobre o tema filme? Será que eles, talvez submissos a tantos pudores durante a maior parte de suas vidas (a geração deles sempre foi mais severa, porém eles fazem questão de contar orgulhosos), não tiveram aquela sensação de ultrapassar os limites do “proibido”?
O história, na verdade, tem como objetivo principal mostrar que uma mulher (pode ser o homem também, por que não?) é capaz de praticamente tudo para zelar pelos seus filhos ou netos. A nora de Maggie, que até então não se dava muito bem com ela - e ainda ficava incomodada pelas frequentes visitas que a sogra fazia ao seu filho no hospital -, soube reconhecer a atitude dela e a defendeu a partir desse momento. Seus princípios e sua moral não devem ser um obstáculo para apreciar esse filme que, no final, é o que todos nós faríamos se estivéssemos na situação de Irina Palm.








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